Tese| (Re)significações da mulher política na mídia: memória, corpo, territorialidade
Leia a tese de doutorado da Profa. Dra Fernanda Fernandes Pimenta de Almeida Lima. O trabalho foi desenvolvido sob orientação da Profa. Dra. Maria do Rosário Gregolin.
Com o objetivo de refletir sobre o que impinge os discursos e os acompanha na dinâmica (re)significação midiática da mulher, esta tese tem como objeto de investigação discursos
sobre mulheres políticas, enquanto acontecimentos históricos e midiáticos. Nesse sentido,
esta pesquisa, organizada em quatro capítulos, sustenta-se em três eixos de discussões
sobre a produção de subjetividades – a memória, o corpo, a territorialidade –, que são
constitutivos dos discursos que situam a mulher na história e produzem sua
espetacularização na política. Com base nos postulados da Análise do Discurso francesa e,
principalmente, sob a ótica dos estudos de Michel Foucault, procuramos investigar como a
mídia produz, em diferentes práticas discursivas, um dispositivo de poder que reserva à
identidade da mulher política lugares vigiados, presos à esfera da vida privada em sua
intersecção com a vida pública. A partir de discussões sobre as identidades na modernidade
tardia, analisamos a presença das mulheres na cena política, enquanto lugar de memória e,
portanto, de enunciabilidade na longa duração da história. Outrossim focalizamos a
visibilidade do corpo feminino em sua articulação com a espetacularização nos discursos
sobre mulheres políticas, discutindo como ele intercala um diálogo com a história nos
discursos midiatizados sobre a mulher política, e como estes, enquanto dispositivos de
poder, constituem uma existência que justifica uma dissimetria entre os sexos, forjando
identidades de gênero. À memória e ao corpo acrescenta-se, em nossas análises, a
observação de que a territorialidade e o imaginário sobre o Nordeste brasileiro se
estendem e se reproduzem nos enunciados sobre mulheres políticas nordestinas a partir de
uma regularidade/dispersão de sentidos que conduzem suas identidades a um lugar de
pertencimento. Para chegarmos a essa compreensão, analisamos, em duas reportagens e em
um artigo de opinião, publicados respectivamente em três revistas de circulação nacional,
quais sejam: Veja Mulher, Claudia e Isto é, discursos sobre mulheres políticas nordestinas.
Esses movimentos analíticos mostraram que os enunciados colonizam a emergência da
mulher política e suas formas de visibilidade, a partir de práticas culturais e de processos
de regionalização inscritos nas relações de poder estabelecidas nas diferentes instâncias do
discurso midiático.
Palavras-chave: Discurso. Mídia. Mulher política. Espetacularização. Identidades.
Leia o trabalho completo, clique aqui.
Sobre a autora
Fernanda Fernandes Pimenta de Almeida Lima é graduada em Letras/Língua Portuguesa pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996), Especialista em Linguística pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN (2000), Mestre em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás - UFG (2005), Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista - UNESP (2011) e Pós-Doutora pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (2013). É docente do Curso de Letras da Universidade Estadual de Goiás e atua na área da Linguística, com ênfase em: Teoria e Análise Linguística, Estudos do Discurso, do Texto e das Identidades de Gênero.
Fonte currículo Lattes